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  • Carol Derschner

A menina e o lápis


Lápis na mão como flauta

Folha vazia sem pauta

Claves de letras

Verbalizar

Sentia o brilho do inverno

Gato preto a olhar de terno

Era um jeito só seu de cantarolar.

E escrevia pelos muros como quem canta,

Subia pelas paredes

O teto cheio de construções

De palavras aos montes

Que afoitas subiam as pontes

E faziam os seus sermões.

Mas a menina não tocava música

E a flauta dormia acordada

A espreitar a menina deitada

Escrevendo debaixo do cobertor...

Queria saber fazer algo de certo

Como quem beira o verdadeiro.

Queria, mas só chegava perto

Quando palavra e silêncio, a sós,

No branco papel, livre canteiro

Deixavam-na quieta a plantar sua voz.


Caroline Derschner

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