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  • Carol Derschner

Ela e natureza


*Texto publicado na antologia "Registros Femininos - Coletânea de Autoras Brasileiras Contemporâneas" Ed. Chiado - Portugal 2020


Vento forte, súbitos tambores

Terra revolta. Dissabores

Era do mar e era da chuva seu partilhar-se inteira

Sem temores

Caíam-lhe os uivos das matas ouvido adentro

Dissolviam-se as dores

Tropical busca varria-lhe o peito

Correndo livre entre insetos e flores

E era linda como a manhã, tarde como a tarde

Noite sertaneja. Breu quase sem cores

Luzia ali dentro a vontade de pertencer

Mas as serras, as pedras, os peixes e os lagos,

perto e longe olhavam

Dela sem carecer

Pediam apenas o olhar das pessoas, velozes e automóveis,

criadas para correr

E que assim, correndo e quicando, voavam pra longe

Sorrindo distantes da possibilidade de ser

Vejam os lares! Os prédios díspares! Tão estranhas evasões!

Vejam as fotos nos paraísos, nos celulares, as dissimulações

Enquanto isso, ela natura, decerto fugia

Lívida, afoita em qualquer noite fria

Mirando a galope bem longe dos corações...


Caroline Derschner

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